Escola Cívico-Militar: entenda o modelo educacional defendido por Bolsonaro


O governo federal possui uma proposta de modelo escolar cívico-militar no qual a gestão da instituição é compartilhada entre educadores e militares.

Por causa disso, o Ministério da Educação afirmou que tem agora o objetivo de construir 216 novas escolas com este modelo em todos os estados, inclusive no Distrito Federal, até 2023.

Há, contudo, muitos questionamentos dos brasileiros sobre o novo modelo.

Veja a seguir 6 dúvidas dos brasileiros sobre o modelo de escola cívico-militar!

bolsonaro em lançamento da escola cívico-militar
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

Como esse modelo funcionaria?

Diferente das escolas mantidas pelas Forças Armadas, neste modelo as secretarias estaduais serão as responsáveis por estabelecer os currículos escolares e os militares ficariam com a responsabilidade de atuar como monitores da gestão educacional do local.

Assim, enquanto que os educadores ficam com a parte pedagógica, os militares cuidam da disciplina e da parte administrativa.

Outra mudança prevista é a utilização de um farda específica e também a determinação de corte de cabelo. Além disso, será obrigatória o lecionamento de aulas de musicalização e educação moral e cívica com os próprios militares.

E quais serão as áreas de atuação do modelo?

De acordo com o MEC, há 3 eixos que as escolas cívico-militares terão como foco:

  • Administrativa: ações realizadas de modo a melhorar a organização e infraestrutura da instituição;
  • Didático-pedagógica: atividades que melhorem o processo de aprendizagem, envolvendo a supervisão escolar e a psicopedagogia;
  • Educacional: incentivar a formação integral dos estudante e realizar atividades que fortaleçam valores éticos, morais e humanos.

Como será adesão das escolas ao novo modelo?

Segundo o MEC, os governos estaduais e municipais terão que fazer uma consulta pública para saber a opinião da população sobre a adesão do modelo, que será, dessa forma, voluntária. Além da comunidade, as próprias escolas também precisarão aceitar a nova proposta para que ela seja implementada.

Para o governo, a prioridade de implementação do modelo será feita para as regiões consideradas vulneráveis socialmente e com baixo Ideb (Índices de Desenvolvimento da Educação Básica), ou seja, as que têm escolas públicas com baixa qualidade de ensino.

Contudo, para poder aderir ao novo modelo, a instituição de ensino precisará também ter entre 500 e 1000 alunos e oferecer aulas para as turmas do 6º ao 9º ano ou ensino médio.

Então, na hipótese da escola aceitar adotar o modelo, como ela irá sustentar os custos?

Pensando nas mudanças que a adoção do modelo cívico-militar ocasionará, como a questão do material escolar e também na infraestrutura do lugar, o Ministério da Educação prevê que será liberado R$ 54 milhões por ano, ou seja, o equivalente a R$ 1 milhão para cada escola.

O que o governo pretende obter com a implantação dele?

O próprio presidente da república, Jair Bolsonaro, disse que ‘impor’ o novo modelo ajudaria as pessoas a não dependerem dos programas sociais governamentais.

Além disso, a meta ao implementar as escola cívico-militares é reduzir os níveis de evasão, violência, abandono e repetência escolar.

De acordo com o MEC, as escolas que já funcionam neste modelo possuem taxa de evasão escolar 71% menor e 37,4% menor de reprovação de alunos.

Como será a participação militar na gestão das escolas cívico-militar?

O Ministério da Defesa utilizará os militares da reserva das Forças Armadas para trabalharem nas escolas que adotarem o novo modelo, os quais serão escolhidos por meio de um processo seletivo, sendo necessário que eles fiquem no cargo por pelo menos 2 anos, com possibilidade de prorrogação de até 10 anos.

Os militares escolhidos também passarão por treinamento para poderem exercerem a função e ganharão uma remuneração de 30% do valor que recebiam antes da aposentadoria.

Além dos militares das Forças Armadas, os estados e municípios também poderão solicitar a presença de bombeiros e policiais militares para auxiliar nas questões de disciplina e organização escolar.

Apesar da proposta ser vista com bons olhos por muitos, há entidades especialistas em educação que criticam o modelo.

“O investimento por aluno é três vezes maior do que na escola regular de turno parcial, faz seleção de alunos e atende a uma parcela com nível socioeconômico mais alto”, argumento o movimento TPE (Todos Pela Educação).

Por causa disso, 12 entidades de educação chegaram a divulgar uma nota grupal contra o modelo argumentando que há diversas escolas públicas não militares que possuem grau de excelência da mesma forma.

“Cabe observar que boa estrutura, boa carreira docente e ambiente escolar disciplinado não devem ser confundidos com militarização, mas sim com investimentos públicos, administração profissional e comprometida, observância aos preceitos legais e gestão democrática contando com a participação da comunidade escolar”, dizia a o texto da nota.

Outro ponto levantado na nota é que o novo modelo afetará o direito universal de educação de qualidade para todos, pois não serão todas elas que mudarão e receberão tais grandes investimentos. Assim, “as demais escolas das redes públicas regulares padecem em precárias condições infraestruturais, tecnológicas, pedagógicas e de pessoal”.

O que você acha do modelo? Acha que realmente pode resolver os problemas escolares que o governo tem como objetivo?

Deixe seu comentário!

O post Escola Cívico-Militar: entenda o modelo educacional defendido por Bolsonaro apareceu primeiro em Boas Notícias.